quinta-feira, 21 de maio de 2015

Palavrero – Marcus Groza

"Em geral, digo que sou palavrero. Mas o melhor seria dizer estou palavrero. Acho que é interessante não se identificar tanto com o que se faz. "Não merece amor quem vive em si/sem esfolar a ponta das vértebras". Acredito nesse esfolar, nem que seja aos pouquinhos. "Quando há um excesso de crosta/a alegria é uma ferida que só sorri sangrando." Não tem a ver muito comigo isso de profissionalismo, especialização, essas coisas que engavetam a pessoa e a fazem cada vez mais se identificar consigo mesma. Eu gosto muito de uma coisa quando se torna outra. 

A cada escrita a coisa é diferente. Acho que tem algo de mental, junto com algo assim: "Enquanto o canto canta, a boca do cantor se espanta." 

Pulsivo como um arremesso. Acho que um procedimento recorrente é a sobreposição de diferentes momentos, por assim dizer.  Nessa madrugada, no ônibus, na Dutra, escrevi um poema no celular. Achei nele frases e palavras numa anotação esquecida e tinha também algumas coisas na cabeça e nas mãos. Assumi que iria ter dois versos por estrofe e isso acentuava um certo ritmo. A partir desse ritmo, os papos com os amigos, alguma idéias e sensações novas e velhas, vai tudo entrando no poema. Inclusive as Tâmaras que estava comendo, quando li no envelope que vinham da Tunísia. 

"Existem nuvens que vão invadir o seu peito. Dentro da nuvem, seja nuvem! Deixe-a passar."

"Existem labirintos de onde só é possível sair vendando e dançando."

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