A cada escrita a coisa é diferente. Acho que tem algo de mental, junto com algo assim: "Enquanto o canto canta, a boca do cantor se espanta."
Pulsivo como um arremesso. Acho que um procedimento recorrente é a sobreposição de diferentes momentos, por assim dizer. Nessa madrugada, no ônibus, na Dutra, escrevi um poema no celular. Achei nele frases e palavras numa anotação esquecida e tinha também algumas coisas na cabeça e nas mãos. Assumi que iria ter dois versos por estrofe e isso acentuava um certo ritmo. A partir desse ritmo, os papos com os amigos, alguma idéias e sensações novas e velhas, vai tudo entrando no poema. Inclusive as Tâmaras que estava comendo, quando li no envelope que vinham da Tunísia.
"Existem nuvens que vão invadir o seu peito. Dentro da nuvem, seja nuvem! Deixe-a passar."
"Existem labirintos de onde só é possível sair vendando e dançando."
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