"Dificilmente me penso como "uma escritora". Houve momentos sim, talvez entre lapsos, entre segundos e outros que tive que preencher uma ficha com o nome da profissão. É uma palavra difícil, que exige para mim muita energia para me aproximar. Escrever em si é o mais natural. Talvez seja a forma com que torneio e me dedico a essa escrita que às vezes me faz crer que sou uma escritora ou não.
De qualquer forma é um nome que vem depois, que está ali, tentando classificar ou acompanhar um processo mais profundo: que é o próprio labirinto. Esta sim é uma palavra que me margeia sempre, escrever talvez seja uma das maneiras em que me dediquei e me dedico (severamente) para poder habitar este labirinto, e quem sabe construir outras mil ramificações por dentro.
Sobre a referência: existem muitas, principalmente as pessoas que estão próximas, que criam junto comigo, porque é um processo de ressonância (vivo).
A Agatha Christie inaugural pra mim.
Criação, para mim é um processo diário sim, o labirinto, a criação e a tecitura dos caminhos que o compõe. Não há um momento em que me sinto separada disso, mesmo quando, por vez ou outra, quero me afastar (e estou sempre querendo me afastar). Estou, incessantemente, desfibrilando este labirinto. Tudo isso faz parte de um processo de vida que deseja criação, afogamentos, mortes, deserções. A criação pode urgir e ser feita de muitas formas, com pequenas peças ou rastros que chamam uma composição. Cada criação exige estratégias e fluxos diferentes para mim, porque apesar de fazerem parte da mesma urgência, surgem de elementos diversos. É em si um caminho doloroso, acredito. Talvez seja prazeroso também. Acho que é sim.
Não sei quem habita o centro do labirinto".