quarta-feira, 28 de junho de 2017

” WE WERE THERE. “




Kevin Cummins fotografou ensaios do Joy Division em 1979,
dois meses após o lançamento de Unknown pleasures e
nove meses antes do suicídio de Ian Curtis.

“The popular image of the band was cold and detached”, diz Matthew Higgs,
em texto publicado nesta semana no The Guardian.

Higgs é curador da exposição True Faith, que abre dia 30 de junho
na Manchester Art Gallery, com trabalhos que mostram
a influência do Joy Division e do New Order na
arte contemporânea.

No texto, Higgs lembra a vibe dos ensaios:
“In person, though, they couldn’t have been more different: they were down-to-earth, friendly and funny, and didn’t seem to mind a few teenagers watching them rehearse. It only strikes me now how young they were, just 22 and 23. Even at the time, we knew what a privilege it was. We watched them regularly after this. Nine months later, on 18 May 1980, Ian Curtis took his own life. For most of us, it was our first encounter with death, though the significance of it didn’t register with us at the time”.

O texto no The Guardian:

https://www.theguardian.com/artanddesign/2017/jun/23/joy-division-kevin-cummins-photograph-august-1979

quinta-feira, 21 de maio de 2015

Entre lapsos – Julia Mendes


"Dificilmente me penso como "uma escritora". Houve momentos sim, talvez entre lapsos, entre segundos e outros que tive que preencher uma ficha com o nome da profissão. É uma palavra difícil, que exige para mim muita energia para me aproximar. Escrever em si é o mais natural. Talvez seja a forma com que torneio e me dedico a essa escrita que às vezes me faz crer que sou uma escritora ou não.  

De qualquer forma é um nome que vem depois, que está ali, tentando classificar ou acompanhar um processo mais profundo: que é o próprio labirinto. Esta sim é uma palavra que me margeia sempre, escrever talvez seja uma das maneiras em que me dediquei e me dedico (severamente) para poder habitar este labirinto, e quem sabe construir outras mil ramificações por dentro. 

Sobre a referência: existem muitas, principalmente as pessoas que estão próximas, que criam junto comigo, porque é um processo de ressonância (vivo). 

A Agatha Christie inaugural pra mim.

Criação, para mim é um processo diário sim, o labirinto, a criação e a tecitura dos caminhos que o compõe. Não há um momento em que me sinto separada disso, mesmo quando, por vez ou outra, quero me afastar (e estou sempre querendo me afastar). Estou, incessantemente, desfibrilando este labirinto. Tudo isso faz parte de um processo de vida que deseja criação, afogamentos, mortes, deserções. A criação pode urgir e ser feita de muitas formas, com pequenas peças ou rastros que chamam uma composição. Cada criação exige estratégias e fluxos diferentes para mim, porque apesar de fazerem parte da mesma urgência, surgem de elementos diversos. É em si um caminho doloroso, acredito. Talvez seja prazeroso também. Acho que é sim.

Não sei quem habita o centro do labirinto".

Palavrero – Marcus Groza

"Em geral, digo que sou palavrero. Mas o melhor seria dizer estou palavrero. Acho que é interessante não se identificar tanto com o que se faz. "Não merece amor quem vive em si/sem esfolar a ponta das vértebras". Acredito nesse esfolar, nem que seja aos pouquinhos. "Quando há um excesso de crosta/a alegria é uma ferida que só sorri sangrando." Não tem a ver muito comigo isso de profissionalismo, especialização, essas coisas que engavetam a pessoa e a fazem cada vez mais se identificar consigo mesma. Eu gosto muito de uma coisa quando se torna outra. 

A cada escrita a coisa é diferente. Acho que tem algo de mental, junto com algo assim: "Enquanto o canto canta, a boca do cantor se espanta." 

Pulsivo como um arremesso. Acho que um procedimento recorrente é a sobreposição de diferentes momentos, por assim dizer.  Nessa madrugada, no ônibus, na Dutra, escrevi um poema no celular. Achei nele frases e palavras numa anotação esquecida e tinha também algumas coisas na cabeça e nas mãos. Assumi que iria ter dois versos por estrofe e isso acentuava um certo ritmo. A partir desse ritmo, os papos com os amigos, alguma idéias e sensações novas e velhas, vai tudo entrando no poema. Inclusive as Tâmaras que estava comendo, quando li no envelope que vinham da Tunísia. 

"Existem nuvens que vão invadir o seu peito. Dentro da nuvem, seja nuvem! Deixe-a passar."

"Existem labirintos de onde só é possível sair vendando e dançando."

Um projeto antigo da revista Minotauro: entender a construção do labirinto, sua matéria prima, descobrir maneiras para percorrê-lo e enfrentar o monstro que habita o seu centro. Este é o roteiro básico deste jogo chamado Dentro do Labirinto.
Com a palavra, seus habitantes.